
Um Guia Prático para Empresas do Setor Alimentício
No Brasil e no mundo, cresce a demanda por produtos sem glúten, seja por estilo de vida, sensibilidade ao glúten ou por uma condição médica severa como a doença celíaca. Atender a esse público é uma grande oportunidade de crescimento para empresas do setor alimentício, mas exige um cuidado fundamental: o controle rigoroso da contaminação cruzada.
Contaminação cruzada é o processo pelo qual alimentos originalmente isentos de glúten entram em contato com partículas de glúten presentes em utensílios, superfícies, equipamentos ou outros ingredientes. Essa contaminação pode ocorrer na cozinha industrial, na linha de produção, no transporte ou até mesmo no armazenamento dos produtos.
Mesmo quantidades invisíveis de glúten podem causar efeitos graves em pessoas com doença celíaca. Por isso, o controle da contaminação cruzada não é apenas uma boa prática, é uma obrigação ética e sanitária.
Segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA), estima-se que entre 1% e 2% da população brasileira seja celíaca, o que representa cerca de 4 milhões de pessoas. No entanto, menos de 15% desses casos são diagnosticados, tornando o cuidado ainda mais essencial, já que muitos consumidores podem estar em risco sem saber.
Além disso, há uma parcela significativa da população que adere à dieta sem glúten por escolha ou por intolerância não celíaca, outro público sensível que exige produtos realmente seguros.
As 5 Coisas Proibidas na Contaminação Cruzada:
- Usar o mesmo maquinário para ingredientes com e sem glúten. Mesmo com higienização, resíduos podem permanecer em equipamentos como moinhos e misturadores. O maquinário deve ser exclusivo ou desmontável para limpeza completa.
- Comprar ingredientes sem exigir laudos de isenção de glúten. Todo fornecedor deve apresentar testes laboratoriais que comprovem a ausência de glúten, principalmente em farinhas e derivados.
- Aceitar fornecedores que não garantem rastreabilidade. Trabalhe apenas com empresas certificadas, que tenham controle sobre cada etapa, do cultivo ao transporte, para garantir a segregação total.
- Ignorar ingredientes com nomes técnicos ou disfarçados. O glúten pode estar presente em ingredientes como:
– Malte de cevada
– Gérmen de trigo
– Vinagre de malte
– Triticum vulgare (trigo)
– Hordeum distichon (cevada)
– Avena sativa (aveia)
– Secale cereale (centeio)
É dever da equipe de qualidade e rotulagem saber identificar esses termos.
- Desconsiderar a frase “pode conter” nos rótulos. Essa indicação, presente em muitos produtos, sinaliza risco de contaminação cruzada. Ignorar essa informação coloca o consumidor celíaco em perigo real.
Os Riscos para a Saúde
A ingestão acidental de glúten por pessoas sensíveis pode provocar:
– Dor abdominal intensa
– Diarreia ou constipação
– Náuseas, vômitos e fadiga extrema
– Anemia, perda de peso e desnutrição
– Problemas neurológicos e risco aumentado de doenças autoimunes
Se a exposição ao glúten continuar, os efeitos podem evoluir para condições graves como osteoporose, infertilidade e até linfomas intestinais.
Exemplo de Boas Práticas: A Experiência da Nutfree
Na Nutfree, por exemplo, não utilizamos ingredientes disfarçados nem compartilhamos equipamentos com alimentos que contenham glúten. Todos os nossos produtos são livres de glúten, leite e contaminação cruzada. Esse compromisso começa na escolha dos fornecedores, passa pela produção e termina na entrega de alimentos seguros e saborosos ao consumidor.
Conclusão
Investir em segurança contra a contaminação cruzada é investir em credibilidade, saúde pública e valor de marca. Empresas do setor alimentício têm a responsabilidade de garantir que o alimento não seja apenas saboroso — mas seguro para todos.
Prevenir é sempre melhor do que remediar. Adote boas práticas, selecione fornecedores responsáveis, treine sua equipe e transforme a confiança no seu maior diferencial competitivo.
Débora Trinkaus – Palestrante e Mentora, Fundadora da Nutfree, Idealizadora do Projeto 100anos


